11.3.12

Histórias do Brique: A beleza das Camisetas Aquareladas

O casal Javier Rebellato e Patricia Martinez Rebellato percorreram um longo caminho até passarem pelo processo de seleção e se instalarem no box 44 do Brique da Redenção, em 1998. Natural de Canelones, Uruguai, os dois se conheceram em 1974, ano em que Patricia migrou com a família para São Paulo. Só reataram o namoro três anos mais tarde, em 1977, quando Javier, convencido de seu amor, foi procurá-la. Na capital paulista ele trabalhou para uma agência de publicidade por nove anos, até 1986, quando abriu seu próprio negócio, um estúdio de publicidade e propaganda, onde desenvolvia estampas de camisetas para várias indústrias de confecção, trabalho que lhe proporcionava liberdade de criação e lhe permitia inventar coisas diferentes; assim foi pegando o gosto pela atividade que ambos mantem até hoje. Em 1984, considerando alguns fatores, transferiram-se para Porto Alegre. O mais importante deles é que o filho, na época com dois anos de idade, enfrentava fortes crises de bronquite; o médico recomendou-lhes então que buscassem uma cidade com outro clima, e principalmente menos poluída. De fato, aqui sua saúde melhorou. Na escolha pela capital gaúcha também pesou o fato desta ser uma cidade que privilegiava sua carreira de publicitário, e a proximidade com o Uruguai, onde permaneciam muitos familiares e amigos, com quem mantinham vínculos afetivos.
Instalados em Porto Alegre, Javier percebeu um mercado de confecções que explorava as tradições do Rio Grande do Sul, mas sentiu falta de camisetas com temas que representassem culturalmente nossa cidade. Pensou por algum tempo no assunto, e decidiu fazer uma tentativa, pintando camisetas como se fossem verdadeiras aquarelas, unindo-as às poesias de Mario Quintana. Participando de pequenas feiras, sem abrir mão dos clientes do estúdio, Javier e Patrícia perceberam que o negócio das camisetas dava certo, e a partir de 1995 resolveram dedicar-se exclusivamente às pinturas das Camisetas Aquareladas, apresentando um trabalho distante da mesmice que estavam acostumados a ver no mercado, contemplando um estilo diferenciado, facilmente identificado como produtos artesanais, originais do Brique da Redenção. Aliás, o casal sempre evitou comercializar suas peças em qualquer lugar, priorizando as feiras de artesanato, ou eventos e congressos. Fazem questão que o produto não seja encontrado facilmente, induzindo o cliente a desejá-lo ainda mais, por estar diretamente relacionado com o trabalho artesanal ligado ao Brique. Esse é seu marketing.  Lamentam apenas que em Porto Alegre, como na maioria das cidades brasileiras, não existam políticas públicas de incentivo à produção artesanal, enquanto produto artístico e cultural.

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